A escola que queremos: educar para a equidade em tempos de pandemia

Atualizado: Mar 30

De acordo com a UNICEF, mais de 168 milhões de crianças foram afastadas da escola por quase um ano em virtude dos “lockdowns” para frear o avanço da COVID-19. O retorno às atividades escolares presenciais aqui no Brasil traz uma série de angústias e indagações sobre como garantir a equidade nos processores de aprendizagens, considerando o impacto negativo do afastamento dos alunos desse espaço de convivência chamado escola. Escola não se limita ao espaço físico, seu papel está muito além disso; escola é lugar de interação, de trocas, de desenvolvimento, tão essenciais à formação integral dos nossos alunos. À medida que os alunos retornam, será preciso suporte para a readaptação e alcance do aprendizado individual, e isso inclui identificar as lacunas de aprendizagem, mensurar o desgaste, ressignifar currículos para realizar a equidade da aprendizagem.

Entre os primeiros passos estão o acolhimento e o diagnóstico. A realização de atividades diagnósticas é de extrema importância para a aprendizagem efetiva, para que nenhuma criança fique para trás.

O ACOLHIMENTO

De acordo com o dicionário Aurélio, dentre os vários significados da palavra acolhimento destaca-se: “Lugar onde se encontra amparo, proteção; refúgio”. Sob essa perspectiva, acolher alunos e professores nesse retorno às atividades presenciais é o primeiro norte para que a aprendizagem aconteça. Embora o ensino à distância tenha acontecido, para alguns de forma ininterrupta, para a maioria de forma insuficiente, é na escola enquanto espaço de interação que as possibilidades para a aprendizagem se multiplicam. Não há mais espaço para abraços, para colo. Um desafio para o dia a dia na escola, principalmente para os pequeninos. Entretanto, nas sábias palavras de Rubem Alves: “Quando a gente abre os olhos, abrem-se as janelas do corpo, e o mundo aparece refletido dentro da gente.” Os olhos. São eles os responsáveis pelos abraços, pelos sorrisos, pelo carinho nesse momento de privação. E se podemos acalentar com o olhar, também podemos ver a dor e angústia nos olhos de nossos alunos. Trabalhar o vínculo é a peça-chave para o início do processo de readaptação. A partir daí, será possível a realização do processo de sondagem.

O DIAGNÓSTICO: MAPEAR & MONITORAR

Uma avaliação diagnóstica efetiva requer diálogo com a equipe docente, levando em consideração o contexto da comunidade escolar e a priorização dos conteúdos essenciais para o andamento do ano letivo. É o momento em que se reconstrói o currículo para adequação à nova realidade. Sob essa perspectiva, entende-se a necessidade de planejamento que abarque a sincronia das atividades visando um propósito único: a equidade nos processos de aprendizagem para o sucesso de todos os alunos. Uma vez feito isso, o passo seguinte é a elaboração da atividade diagnóstica em si, cuja orientação deve ser: observar dificuldades individuais, identificar lacunas no aprendizado e propor planos de intervenção compatíveis com as características de cada grupo.

Traçar o diagnóstico significa mapear a realidade do aluno individualmente e no coletivo. O passo seguinte é o monitoramento utilizando avaliações formativas, que podem ser realizadas por meio de entrevistas, projetos, formulários, padlets, discussões, opções que caibam no ensino presencial, remoto e híbrido. As avaliações somativas, realizadas em intervalos de tempo determinados, tem o papel de comprovar a eficácia do processo de aprendizagem e de recuperação ao longo do ano letivo.


A REVOLUÇÃO

Toda crise carrega duas naturezas: a dor e a mudança, e nesse sentido, por pior que seja o panorama, está aí a oportunidade de a escola propor uma mudança de perspectiva no papel que lhe cabia até então, para se tornar espaço-aldeia onde a aprendizagem é personalizada e coletiva, e a igualdade caminhe lado a lado à equidade, onde o aluno se reconhece como indivíduo e como parte de um todo maior. Um lugar em que o professor se torna mediador de processos de aprendizagem colaborativa, e a aula expositiva abre espaço para aprendizagem que envolve a metacognição com foco nas habilidades socioemocionais tão urgentes para o agora, construindo assim um ecossistema educacional robusto capaz de suportar o aluno em suas necessidades.

Fontes:

https://www.unicef.org/press-releases/schools-more-168-million-children-globally-have-been-completely-closed

https://www.cambridge.org/br/education/blog/2020/12/18/assessment-throughout-the-year/

https://www.un.org/development/desa/dspd/wp-content/uploads/sites/22/2020/08/sg_policy_brief_covid-19_and_education_august_2020.pdf

WEBINAR: Como minimizar os impactos da pandemia de COVID-19 na aprendizagem escolar? https://www.youtube.com/watch?v=7hJpwBTacqg&t=5010s

Carina Santana - Professora de Ed. Infantil e Ensino Fundamental desde 2006, em Escolas Internacionais e Bilíngues no Rio de Janeiro. Com graduação em Letras , e Especialização em Neurociências pela UFRJ, Educação Especial e Psicopedagogia, além de formação e experiência em ABBA para inclusão de crianças com necessidades especiais em contextos escolares. Atualmente, tem se dedicado à Especialização em Neuropsicologia pelo Instituto de Neurociências Aplicadas e pelo aprofundamento na área de Bilinguismo.Filiada à TESOL Int. Association desde 2020.


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