Escolas bilíngues e Diretrizes Nacionais de Educação Plurilíngue

Nos últimos anos, vimos o surgimento de muitas escolas bilíngues no Brasil. Em 2019, segundo dados da Organização de Escolas Bilíngues, já existiam 71 instituições de ensino bilíngue em São Paulo, e o mercado registrou crescimento de 10% desde 2014. O que isso significa para nós, professores de idiomas? Que, muito provavelmente, diversas oportunidades de emprego nesse setor surgirão nos próximos anos. Como podemos nos preparar para elas?


Primeiramente, precisamos saber o que é uma escola bilíngue. Você provavelmente já ouviu falar de escolas que têm programas bilíngues no contraturno, carga horária maior do ensino do idioma, ensinam as matérias escolares por meio do idioma, entre outros. Resumindo, as escolas definiam como e quando usar uma carga horária extra do idioma e se autodenominavam bilíngues, pois até 2020 ainda não havia nenhuma definição oficial de escola bilíngue.


Em 2020, o Conselho Nacional de Educação aprovou as Diretrizes Nacionais para a Educação Plurilíngue no Brasil. Conforme o documento, escola bilíngue é aquela com currículo único, integrado e ministrado em duas línguas de instrução. Esse currículo deve ser oferecido em todas as etapas (Educação Infantil - EI, Ensino Fundamental - EF e Ensino Médio - EM) e com limitações da carga horária da língua adicional de acordo com a etapa: de 30% a 50% na EI e no EF e, no mínimo, 20% no EM.


O documento também traz uma definição do perfil do professor para trabalhar nessas escolas: para lecionar a língua adicional na EI e EF I, o professor precisa ter graduação em Pedagogia ou Letras, nível B2 do idioma comprovado por certificação e formação complementar em Educação Bilíngue (120h). Para lecionar no EFII e EM, o professor pode ter graduação em Letras ou nas demais disciplinas curriculares, nível B2 do idioma comprovado por certificação e formação complementar em Educação Bilíngue (120h). Há a previsão de mudança nos currículos de licenciatura para quem iniciar a graduação em 2021, incorporando uma formação de Educação Bilíngue ainda na graduação, mas caso você já seja formado ou esteja se formando, sua opção são os cursos de extensão em Educação Bilíngue.


Se você tem interesse em lecionar em escolas bilíngues, esse é o caminho (this is the way!), mas é importante reforçar que as Diretrizes também classificam algumas escolas como Escolas com Carga Horária Estendida ou Escolas Internacionais, que são alternativas interessantes para a atuação de professores de idiomas.


Também é importante ressaltar que as escolas terão um período de adaptação às novas diretrizes, um tempo que você, professor e professora, pode usar para capacitação. Se quiser saber mais sobre o assunto, clique aqui para ler as diretrizes. A Troika está organizando um fórum sobre ensino bilíngue que trará ideias práticas para aplicação na EI e EF I, além de discussões sobre o impacto do ensino bilíngue nas escolas. Para saber mais, clique aqui.


Se você tiver ideias e sugestões de formação e capacitação para professores bilíngues, compartilhe sua experiência com a gente nos comentários!


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